Diário de Cannes
E Cannes chega ao fim…
Último dia do festival. Cannes finalmente chega ao fim. Desculpe a ausência nesses últimos dois dias, mas foi literalmente impossível escrever por falta de forças.
Sinto como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Tanta coisa aconteceu que é impossível relatar tudo. E também não tem mais graça, já que o festival chegou ao fim.
Vou fazer um resumo rápido: a recepção ao À Deriva foi emocionante. O longa foi ovacionado por vários minutos. Foi muito, muito lindo mesmo. A platéia recebeu o filme com muita emoção. Muita gente chorou durante a sessão. Incrível mesmo!
Antes, eu já tinha sabido que o filme foi vendido para o mundo inteiro. O primeiro lugar a ser lançando, depois do Brasil, será na França.
As entrevistas no dia seguinte com a imprensa francesa foram maravilhosas. Muita gente fala que o filme tem a ver com o trabalho dos diretores Eric Rohmer ou François Ozon. Mas o Vincent Cassel disse que não é isso. Que o filme é muito mais sexy, mais brasileiro. Os europeus, aliás, se impressionaram com o aspecto sensual da narrativa. Muitos biquínis e corpos expostos numa paisagem paradisíaca. Búzios encontrou Cannes. Dois balneários que conversam e que tem muito em comum.
Não dá para esquecer que a musa de Búzios é a Brigitte Bardot. Lá, tem até uma estátua dela, que costumava passar as férias de verão no balneário.
Hoje, consegui relaxar pela primeira vez. E vou embora com a certeza de que tudo agora vai ser diferente. É um novo começo na minha vida, com novos desafios. O À Deriva abriu as portas para o mercado internacional.
Agora, é a vez do Serra Pelada. Um filme grande e desafiador. Se tudo der certo, se conseguirmos fazer um bom filme, espero poder voltar aqui em Cannes em breve.
Me despeço deste blog, no qual, na medida do possível, tentei de uma maneira direta passar um pouco da sensação do que é o Festival de Cannes. Missão, aliás, impossível, já que Cannes é tanta coisa.
Espero que vocês tenham gostado deste relato mínino e agradeço a audiência.
Hoje, sai a Palma de Ouro. Minha aposta é para Un Prophèt. Também pode ser que o filme de Michael Haneke ganhe. A cerimônia começa na mesma hora que estarei embarcando de volta ao Brasil e ao trabalho. Aliás, Cannes é muito mais trabalho do que glamour - diria que é 80% trabalho e um pouco de diversão também. Tentei escapar das festa porque não ia chegar vivo ao final, se tivesse tentado fazer tudo o que tem para fazer por aqui.
Finalmente, quero aproveitar este espaço para agradecer as pessoas que me ajudaram a fazer este filme. É tanta gente que não é possível enumerar. Mas quem fez, sabe o que fez. Quero agradecer especialmente a Isabel Berlinck, Chico Aciolly, Guta Carvalho e Ricardo Della Rosa. Parceiros de toda hora e companheiros de batalha.
Obrigado! Vocês estão no meu coração.
E, por último, quero agradecer especialmente a Vera Egito, minha namorada e parceira criativa, que me inspirou a fazer este filme e o co-escreveu comigo. Vera e eu começamos a namorar de verdade a partir desta parceria criativa. Foi isso que nos aproximou e nos uniu. Depois do À Deriva, escrevemos juntos Haiti, Os Orixás e o Serra Pelada, meu próximo filme. E já estamos começando um novo roteiro.
Obrigado, Verinha, por toda a força, ajuda e compreensão nos momentos difíceis. É com você que eu quero compartilhar todas as coisas incríveis que aconteceram neste 62º Festival de Cannes.
Viva o amor. E viva o cinema.
Noite de estréia À Deriva…
Ontem chegamos muito tarde da festa de À Deriva. E hoje de manhã, Heitor saiu cedo para a bateria de entrevistas que durará todo o dia.
Por conta disso, ele me pediu que escrevesse um pouco sobre a noite de ontem, só pra matar a curiosidade dos leitores do blog. Assim que ele voltar para o apartamento, escreverá ele mesmo suas impressões da estréia.
Chegamos ao “Les Costes”, restaurante na beira da praia (e preferido do Vincent Cassel, ator de À Deriva) mais ou menos às 19:00hs. Estava marcado um coquetel, antes do filme, que foi exibido às 22:30hs. Heitor estava lindíssimo em seu smoking Alexandre Herchcovitch. Todas as mulheres do filme usaram preto: Déborah Bloch, Nathalia Zemel, Andrea Barata, Bel Berlink, Joana Mariani e eu. Nesse início de noite, ainda está bem claro por aqui e foi bom olhar o mar e os trajes de gala juntos.
Um pouco antes de escurecer, chegou Laura Neiva, a protagonista Filipa de À Deriva. Ela estava brilhante, dentro de um vestido dourado lindo! Realmente, uma estrela.
A hora da projeção se aproximava e aos poucos fomos ficando tensos. Eu olhava para o Heitor conversando com as pessoas e sentia o turbilhão que passava por ele naquele momento.
Vincent trouxe seu amigo Tarubi, um francês professor de capoeira que fala português perfeitamente e é apaixonado pelo Brasil. O papo seguia animado.
Já estava escuro quando a Bel passou pelas mesas dizendo”Vamos lá?”. Procurei Heitor com os olhos e lá estava ele, puxando o paletó para baixo e esfregando as mãos uma na outra em seguida. Um gesto típico dele (quem conhece visualizou). Um gesto que indica sua ansiedade.
Saímos do restaurante em carreata. Heitor, eu e Lin – sua manager americana. Estávamos em um carro oficial do festival, que seguia o carro do elenco. A surpresa foi que os carros pararam em frente ao tapete vermelho principal do Palais, o que não é usual para filmes da mostra Un Certain Regard. A porta do carro foi aberta, Heitor desceu, virou-se para mim e estendeu sua mão. A partir daí, não lembro exatamente o que aconteceu.
A equipe toda no tapete vermelho. Flashes de fotógrafos, poses… Não podia acreditar que éramos nós. Não podia acreditar que era o À Deriva. A equipe do filme atravessou o tapete. Os nossos convidadados permaneceram em frente aos carros, esperando a hora de entrar. Ouvi o Cauã dizer: ”Vou buscar a Grazi”. Eu disse: “vai!”. Cauã atravessou novamente o tapete sozinho e voltou de mãos dadas com ela. Lindos, arrasaram.
Heitor, Vincent, Laura e Débora se separaram de nós nesse momento. Nós tomamos nossos lugares e aguardamos dentro da sala. Alguns minutos depois, os quatro são chamados ao palco, um por um. Vincent se apresentou como “Vicente Cassel, um ator franco-brasileiro”. Ele fez seu discurso em português e disse que amava muito o Brasil. Heitor falou brevemente e, depois de alguns agradecimentos, dedicou a sessão à Laura. Foi bem bonito.
Quando Heitor chegou e sentou ao meu lado seguramos bem forte um na mão do outro: começava a sessão. Não preciso dizer o quanto amo esse filme. Ele foi o primeiro roteiro em que trabalhei, antes mesmo dos meus curtas. Um projeto que começou tão pequenininho e virou um filme tão lindo.
Não vou falar muito dele – do filme – porque vocês, em breve, vão vê-lo no cinema e terão suas próprias impressões. Mas preciso falar do que senti durante a cena final – sem descrevê-la, claro!
A cena foi filmada numa praia da Marinha. Um lugar isolado onde só se chega de barco. Estou aqui olhando os Diários do set À Deriva e relembrando essas filmagens. Sim, há um diário não publicado que descreve todos os dias da equipe em Búzios. Escrevi esse material durante todo o tempo de filmagem. Quando estava em São Paulo, Heitor me ligava invariávelmente no fim do dia com o relato da diária. E, durante as duas semanas que passei em Búzios, pude escrever do meu próprio ponto de vista. E uma dessas oportunidades foi no dia da filmagem da cena final, na praia da Marinha.
Chegamos em barcos, que era a única maneira de chegar. As equipes de maquinária e câmera tentavam desembarcar em meio as ondas da arrebentação. Foi uma loucura. Cena de guerra. Tanto que essa diária ficou conhecida como “O dia D”, o “Desembarque na Normandia”.
Lembro que a Bel cortou o pé descendo pelas pedras e que o sol estava muito forte.
Finalmente, quando a praia estava conquistada, a cena final de À Deriva foi filmada. Muitas pessoas presentes naquele momento choraram. Eu incluída.
O lindo foi ver que Filipa (Laura Neiva) e Mathias (VIncent Cassel), por um breve momento, haviam se tornado pessoas reais. Olhava para os dois naquela praia e lembrava das palavras escritas no roteiro. E como aquelas palavras se transformaram em praia de verdade, mar de verdade, sol de verdade e, especialmente, pai e filha de verdade.
E foi a imagem desse pai e dessa filha que encerrou a sessão de ontem na Sala Debussy do Palais des Festivals. As luzes acenderam e estávamos todos com cara de choro. Muitos aplausos para Laura, Débora, Vincent e, claro, para o Heitor. Esse menino de Pernambuco, que ama tanto o que faz, recebia as ondas de aplausos completamente maravilhado. O filme merece.
Nota especial para os aplausos no momento em que o nome do Ricardo Della Rosa apareceu na tela.
Sim, o público gostou. Toda a angústia se dissipou. O público da Debussy se encantou por À Deriva.
O filme está voltando para casa. Esperamos ansiosos por sua acolhida.
(postado por Vera Egito)
Comentários
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- Marilia CB » Postado em: 24 de maio, às 13:57
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Parabéns, Vera, pela sua capacidade de expressar emoções com palavras. Deu pra sentir daqui. O frio na barriga, o coração.
Parabéns, Heitor: primeiro pela Vera, que é uma menina sensacional, depois por Cannes, é lógico.
Muita sorte, alegria, amor e arte.
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- Samori » Postado em: 24 de maio, às 01:12
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Quando li o texto da Vera sobre o dia em que a cena final foi filmada, não me contive em dividir com os leitores do blog as imagens que me vieram a cabeça…
Após o desembarque na Normandia, carregando “the hole truck down” (como gostávamos de falar) em inúmeros botes até a areia da praia da Marinha, estávamos lá… carregando 2 cameras para cima dos majestosos galhos daquela gigantesca árvore, onde nosso diretor Heitor, e nosso mestre Della Rosa, estavam literalmente pendurados e nos aguardando para filmar a cena final. Composições que se tornaram pinturas em forma de prata impressa no negativo daquelas cameras… Momentos em que as ondas do mar deslizaram pela areia brilhante e desenharam a sensibilidade daquela cena… Todos que estavam pendurados naqueles frondosos galhos se arrepiaram… E uma das melhores lembranças são os abraços entre os membros da equipe que ali estavam para comemorarmos a linda cena que filmamos… O “plaft” das mãos se encontrando no ar e os sorrisos estampados nos rostos… Mas não parou por ai, a outra camera já estava esperando para filmarmos o restante da cena com o stedycam… E ainda tínhamos a fuga da Normandia pela frente… Mas isto é outra história…
Parabéns a todos da equipe e sucesso ao “À Deriva”!
Escrevo em nome de toda a equipe de camera, que deu o sangue nas filmagens, mas também se divertiu muito! Abraços a todos!
Samori
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- jer » Postado em: 23 de maio, às 22:26
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trabalhou no roteiro de a deriva?
sei
tem gente que ganha pra trabalhar tão pouco
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- Eduardo Boaventura » Postado em: 23 de maio, às 16:56
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Gostaria de saber porque é tão difícil conseguir mostrar um trabalho de criação literária ou um projeto para produção cinematográfica aqui nesse nosso país. Na verdade, os editores e produtores olham a primeira e a última página e engavetam o trabalho dizendo sempre a mesma coisa “temos projetos encaminhados para os próximos seis anos”. Bem, se isso for verdade a indústria cinematográfica brasileira dever ser uma maravilha e devíamos abrir mais produtoras, estamos perdendo dinheiro. Mas, não acho que seja bem assim, acho que o que acontece é um tremendo descaso com os escritores e roteiristas iniciantes. Se Dan Brown escreve uma coisa qualquer, mesmo que seja uma baboseira sem a menor qualidade (como fortaleza digital, por exemplo), todo mundo quer publicar e todo mundo quer produzir o filme, pois ele escreveu “o código da vince e anjos e demônios”. Se John Grisham escreve um livrinho insosso (como o sócio, por exemplo), todo mundo quer publicar e filmar, pois ele escreveu boas obras que deram origem a filmes, como “a firma” e “tempo de matar”, se stephen King escreve uma historiazinha como “Desespero”, todo mundo quer publicar e filmar, afinal, ele escreveu “the shawshank redemption” ou “um sonho de liberdade”, em contrapartida, se um autor novato escreve algo, mesmo que seja uma obra de bastante qualidade, só recebe “temos projetos encaminhados para os próximos seis anos” ou “a análise de sua obra pode demorar até quatrocentos anos tendo em vista o número de submissões que recebemos”. Porra, porque não contratam mais pessoas para analisarem os trabalhos? Podemos estar perdendo bons livros e boas produções por falta de interesse ou por falta de pessoas para analisá-los. Tenho dois livros registrados e ainda estou batalhando a publicação de ambos e, também, a produção da adaptação para o cinema. E por último, podem dizer “não conseguiu nada porque a obra não possui qualidade”. Podem até dizer isso, mas antes, LEIAM A OBRA INTEIRA.
Eduardo Boaventura
edboaventura@hotmail.com
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- Marcia » Postado em: 23 de maio, às 15:13
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Oi Flavia. Eu não trabalhei no filme não. Meu nome é Marcia Campello e sou amiga de pessoas do filme. Não tive a intenção de magoar ninguém, até disse que achei imprescindivel de verdade o trabalho dela, não foi ironia não. Depois que ela explicou entendi melhor. Beijos a todos. Paz.
Personagens anônimas
Depois do filme do Tarantino (Bastardos Inglórios) com o red carpet mais estrelado de Cannes e do jantar do À Deriva, estava no Hotel Martinez tirando fotos de duas prostitutas - mãe e filha que são convidadas para quase todos os eventos do festival (detalhe para a credencial delas, no pescoço) - que têm o melhor figurino de Cannes (animal prints, é claro!!!) e dou de cara com quem? Almodóvar, super low profile entrando no hotel!
Fiquei tão em choque, que nem pensei em tirar foto!!!
Coisas de Cannes…

Em meio a tantas celebrities, essas duas prostitutas (filha, da esquerda, e mãe) são também personagens do Festival de Cannes
(postado por Nathalia Zemel)
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- ilana » Postado em: 23 de maio, às 10:10
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Que bom ver de novo - - outro angulo, angulo do escuro? das maos - - pelos olhos de Veroca!
ê Filme lindo…
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- Josimara » Postado em: 22 de maio, às 19:04
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Olá Heitor, tudo bem?
Sou jornalista do Portal Top Blog, uma premiação para blogueiros brasileiros. Gostaria de convidá-lo para inscrever o seu lá e participar.
Caso haja interesse, basta efetuar o cadastro no Portal http://www.topblog.com.brAbraços,
Josimara Silva
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- silvia » Postado em: 22 de maio, às 15:22
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è uma pena que existam pessoas com o tipo de comentário como de Marcia e Heitor. Gente aplaudam o nosso cinema !!!!!!!!!!!!!!!!
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- Martin » Postado em: 22 de maio, às 10:32
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Heitor,
parabéns pelos 5 minutos de aplausos….
esse seu sucesso é uma grande inspiracao para alunos de cinema como eu …muito obrigado
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- Hugo Leon » Postado em: 21 de maio, às 21:22
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Heitor,
Publiquei um quadro de cotações dos críticos brasileiro que estão
cobrindo Cannes no link abaixo. Caso queira me mandar suas notas dos
filmes, favor me passar.http://files.fidelidadealta.com/cannes2009/
Abraço.
Nos últimos dias estive em lugares que nunca imaginei estar. Hotéis finíssimos, jantares, festas exclusivas, sessões de gala. Tudo muito formal: sapatos de salto, truta e vinho branco.
Em todos os eventos, aceito os parabéns que me dão pelo fato de meus curtas Elo e Espalhadas pelo Ar fazerem parte da Semaine de la Critique. Tudo isso me fez ficar devagar um pouco. Esse estado começou na terça (19), durante o jantar da Un Certain Regard oferecido às equipes dos longas em competição na mostra. Estávamos no salão reservado do Hotel Carlton. À mesa do À Deriva estavam sentados Heitor, Débora, Laura, Gustavo, Joana, Nathalia, Josefina e eu. Olhávamos uns para os outros e lembrávamos das semanas de suor em Búzios, um ano antes. Em uma lembrança ainda mais antiga, pensei nos meses de trabalho sobre o roteiro de À Deriva, que começou a ser escrito em 2005.
E os curtas… Espalhadas pelo Ar foi filmado pela Universidade de São Paulo, Elo, a partir de um prêmio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Pouco dinheiro, muita vontade.
O engraçado é que fazer um filme não tem nada a ver com todo o luxo de Cannes. Nada a ver. É uma aventura sem garantias e, quando nos lançamos a ela, a última coisa que nos vem à cabeça é um jantar no Carlton Hotel de Cannes.
Mas, lá estávamos nós.
E o que me deixa mais feliz é sentir que nem as encantadoras vitrines da Croisette, nem os glamourosos salões da Riviera, nem as entrevistas e sessões de fotos, nada disso chega perto da intensidade que é fazer um filme.
Todos esses eventos se tornam tediosos se comparados aos sets de filmagens, nos quais enfrentamos um dia de coração aberto, tênis nos pés e sanduíche para o almoço.

Na frente do Carlton, em plena Croisette, momento "família" de Débora e Laura, que fazem mãe e filha, respectivamente, no longa 'À Deriva'
(Postado por Vera Egito)
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- Lorena » Postado em: 23 de maio, às 22:10
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a menina é roteirista do filme, namorada do diretor. dá um google no assunto antes de comentar.
maior orgulho aqui pra gente essa galera em cannes. só coisa boa!
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- Marcia » Postado em: 22 de maio, às 01:37
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Gente, não é inveja, vou explicar pra vcs. O filme foi rodado em 5 semanas em Búzios. Várias pessoas participaram dessas filmagens. A Vera, foi visitar o set, apenas 2 dias. Ela não trabalhou no filme, por isso, quando ela fala que lembra o tanto que ela suou durante as filmagens, acho que está desrespeitando a equipe que estava lá e deu um duro pra o filme sair tão lindo. Se ela diz que suou pra fazer os curtas delas, aí sim. Mas, por favor, não fale do A Deriva. Espero que vcs entendam…
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- Guilhermina Fawkes » Postado em: 21 de maio, às 23:37
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Só, inveja pura!!!!
Credo, melhor a Vera tomar um banho de sal grosso.
Essa Márcia aí não sabe mesmo de cinema. Se ela
ao menos navegasse pela internet saberia q À Deriva
foi rodado durante várias semanas em Búzios. Tsc,
tsc, tsc… Que feio!!!!
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- Lorena » Postado em: 21 de maio, às 23:19
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Nossa Márcia!
Quanta inveja….
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- giza egito » Postado em: 21 de maio, às 19:06
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Verinha,
Meus parabéns. Só você sabe o quanto batalhou para isso aocntecer. Tenho muito orgulho de você.
Te amo muito.
Mamy
Em Cannes, tudo acontece ao mesmo tempo. Hoje foi um dia intenso. Tarantino arrasou no tapete vermelho. Dançou com Mélanie Laurent, a protagonista de Bastardos Inglórios. Foi um show à parte. Ele dançou ao som de Pulp Fiction, na cena que o Travolta dança com a Uma Thurman. Depois de minutos dançando na frente dos fotógrafos, Tarantino começa literalmente a surfar no tapete vermelho.
Hoje, foi de longe o dia mais concorrido do Festival. Uma multidão do lado de fora esperava para ver Tarantino. Brad Pitt e Angelina Jolie, também muito aguardados, ficaram quase em segundo plano. Tarantino e Almodóvar conseguem chamar mais atenção que os atores hollywoodianos! O que é quase impossível. É engraçado de ver.
O filme é muito divertido. Com personagens cruéis e impagáveis. O coronel Landa é simplesmente sensacional. Um filha da puta completo. Me lembrou muito Dr. Stranglove, do Kubrick. Juro, só pensava no Peter Sellers. O filme é “very Tarantino”. Sem a mesma pulsação dos primeiros filmes, mas sempre muito bom. Tarantino é imperdível. Ainda mais em Cannes.
Durante o dia, aconteceu talvez a melhor coisa do Festival: A masterclass dos irmãos Dardene. Não fui porque era na mesma hora da entrevista do À Deriva. O Gus, montador do filme, foi e amou. Vou pedir para ele escrever um pouco para gente. Os Dardenes são gênios do cinema. E, segundo o Gus, a masterclasse girou em torno da construção dramática da cena. De como construir tensão o tempo todo. Os Dardenes já ganharam duas Palmas de Ouro. Sou fã de carterinha. Dois mestres do cinema mundial. Vou esperar pelo livro e pelo DVD. O Gus saiu do evento entusiasmadíssimo. Não é para menos.
A agenda do dia foi: às 10h, reunião com a Celluloid Dreams Brasil (CDB), depois com uma produtora inglesa muito bacana. Aí fomos para o almoço do Un Certain Regard. Laura quase não consegui entrar porque a mãe não tinha credencial. O protocolo do festival adorou as duas atrizes do filme. Laura e Débora conquistaram simpatia por onde passam.
Depois tivemos entrevistas, mais reuniões e finalmente um jantar depois da sessão do Tarantino. No jantar, estava todo mundo. Cauã e Grazi chegaram hoje. Adorei que ele veio prestigiar o filme. E hoje é o aniversário de Cauã. Parabéns, Cauã, querido. Cantamos parabéns e celebramos o dia que vai chegar daqui a pouco.
Logo de manhã, nesta quinta, teremos o photocall de Á Deriva, com todo o elenco. São fotos antes do tapete vermelho, à noite. Antes, tenho que checar a cópia às 9:00 da manhã (logo mais). E já são duas da manhã!
Amanhã é o grande dia.
Hoje, insônia.
Abraços do
Heitor
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- Carmen » Postado em: 21 de maio, às 13:19
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Segure a onda, pois até eu estou ficando nervosa. Mesmo já considerando uma vitória ter chegado até ai. Bj Carmen D (mamy)
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- Francisco A » Postado em: 21 de maio, às 07:12
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Heitor,
não estou ai, mas, estou!!!
Vai ser ótimo.
Bj nos meus atores queridos e um grandão em vc
Chico
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- Patricia Z » Postado em: 21 de maio, às 03:44
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H
Estou torcendo por todos voces, vai ser incri !!!
bjs na Deb, Grazi, Cauã, Vera e vc Maluco
lov
Patricia Z
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- Andre Negreiros » Postado em: 21 de maio, às 00:10
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É, ta chegando o dia. To aqui agoniado com a noite de amanhã. daria tudo para estar aí. Sucesso amanhã e sempre.
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- marcelo negri » Postado em: 21 de maio, às 00:04
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vai ser um luxo!
Caros, como amanhã À Deriva passa aqui em Cannes (na mostra Un Certain Regard), posto o link aqui para o trailer do filme. Espero que gostem.
Braços do
Heitor
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- vito » Postado em: 21 de maio, às 11:45
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agora foi. coisas da rede. um leve susto com um comercial meio intruso, sem aviso, e sem que eu tenha entendido sobre o que é, mas valeu. as moças tinham mais é que encantar por aí mesmo. débora bloch está cada dia melhor e mais linda.
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- Guilhermina Fawkes » Postado em: 21 de maio, às 08:18
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Ô meu caro Jader. Explique-se sobre o q seriam bons filmes pra vc?
É unânime - e nem sempre a unanimidade é burra - entre críticos,
diretores, atores e povo da indústria do cinema q este festival é um
dos mais fortes em particiapções (senão o mais). Vide o time de
diretores concorrentes só na competição principal: Ang Lee,
Pedro Almodóvar, Lars von Trier (q eu não suporto, mas tem seu
mérito e reconhecimento. Ou seja, é uma percepção
totalmente subjetiva, como classifico seu comentário…) , Alain
Resnais, Quentin Tarantino, só para citar alguns…Acho q tá lhe faltando estofo, baby, pra malhar essa cobertura incrível…
Acho q é inveja…
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- JADER » Postado em: 21 de maio, às 01:22
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Há muito tempo o festival de cannes não é tão fraco.
Inespressíveis filmes com caricaturas de diretores, atores e até mesmo a cobertura, que desta vez não tem se aprofundado naquilo que realmente interessa a nós fãs dos bons filmes
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- So » Postado em: 21 de maio, às 00:03
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Parabens pela cobertura… adoro o seu modo de escrever.
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- Neto Krüger » Postado em: 20 de maio, às 23:53
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O trailer é excelente, aguardamos pelo filme aqui no Brasil.
Boa sorte em Cannes!
São quase 2h da manhã e me sento na frente do computador para escrever o relato do dia. Normalmente este é a único tempo que eu tenho para isso. Entre 2h e 3h, faço este relato rápido para compartilhar com vocês minhas experiências em Cannes.
Foi um dia de muitas reuniões. E hoje, aqui em Cannes, começa a história do próximo filme: Serra Pelada. O Serra achou o seu caminho e passou na frente do meu outro projeto, A Girl and A Gun, que deve ficar para depois da história da maior corrida do ouro da era moderna.
Enquanto isso, no Palais, Almodóvar. O filme (Los Abrazos Rotos) é divertido e, nele, mais uma vez, o diretor espanhol reafirma sua vocação para o melodrama. A história, que faz uma metalinguagem ao cinema, conquistou o público da sessão oficial. A imprensa se dividiu, no entanto. Na minha opinião, o filme tem tudo o que se pode esperar de Almodóvar. As cores fortes, a referência constante a Hitchcock e seu gosto pelo exagero.
Os filmes do Almodóvar viraram um gênero e foi este gênero que o público do Palais de hoje queria ver. O diretor foi ovacionado por vários minutos, junto com a estonteante Penélope Cruz.
Ao nosso lado, estava sentado o diretor Ang Lee. Criei coragem e o cumprimentei. Ele é bem discreto. Aliás, até o Almodóvar estava discreto hoje. Quem não estava nada discreta era Rossy De Palma, que arrasu com um figurino preto e chapéu anos 20 - acho.
Perdi a sessão de Vincere, filme italiano da Celluloid Dreams, que está em competição, para jantar com o ator Vincent Cassel e algumas pessoas do meu filme À Deriva. O jantar foi ótimo e divertido.
No final, encontramos com o ator do Crepúsculo. O vampiro bonitão Robert Pattinson. As meninas, atrizes de À Deriva, ficaram animadíssimas. Um amigo francês do Vincent apresentou Robert à Laura. Eles tiraram fotos, o que vai render uma semana de comentários na escola da Laurinha. Foi bem engraçado.
Nesta quarta (20) começam as entrevista do À Deriva. E, amanhã (que na verdade já hoje), Tarantino apresenta o seu Bastardos Inglórios. Quem viu disse que é incrível. “Tarantinô”, como é chamado aqui, é freguês antigo do Festival. Começou com Cães de Aluguel e, depois, ganhou a Palma de Ouro com Pulp Fiction - Tempo de Violência. Sou fã do Tarantino. Sempre imperdível.
Para encerrar, queria mandar uma mensagem para duas pessoas fundamentais para o À Deriva e que não estão aqui: o Ricardo Della Rosa, diretor de fotografia do filme - que está filmando com Andrucha no Marrocos -, e Guta Carvalho, diretora de arte, que hoje mora na Argentina.
Gu e Della, vocês estão fazendo falta aqui. Sem vocês este filme não seria o que ele é. Os dois estarão comigo quando eu entrar no tapete vermelho!
Abraços do
Heitor
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- gabiguimaraes » Postado em: 21 de maio, às 13:33
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gente esse disse-me- disse que ele fede é tudo mentira.
o pitt e o zac tb são chamados de fedidos.
e eu tb não gosto do cheiro de bacalhau, mais é saboroso não é?
então,só pq o cheiro não é bom não quer dizer que não seja gostoso!
hahahaha
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- monicasantos » Postado em: 21 de maio, às 04:06
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Nossa quanta mágoa de caboclo !!!!!!!
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- fernando britto » Postado em: 20 de maio, às 18:58
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ah eu consegui uma foto com a Carol…você vai entender,aprendi a fazer isso com o livro como chegar ao clímax de um roteiro…leia os comentários é mt importante…
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- fernando britto » Postado em: 20 de maio, às 18:41
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Presta atenção nessa história.
abraço…
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- fernando britto » Postado em: 20 de maio, às 18:39
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Desculpa pelo exagerro.
Almodóvar é daqueles diretores adjetivos. Você diz: “Ontem eu vi uma cena bem Almodóvar”, e as pessoas te entendem tranquilamente. Pois na tentativa de imitar a si mesmo, Almodóvar erra feio.
Los Abrazos Rotos é uma versão pouco inspirada de seus traços mais marcantes, um filme sem seus rompantes recentes de genialidade, que deve divertir, mas não se tornar parte significativa de sua obra.
(postado por Roberto Vitorino - produtor executivo do meu próximo filme, A Girl and A Gun)
Na noite de Cannes
Cannes vive um paradoxo: o cinema está em tudo e o cinema é quase um detalhe. Centenas de pessoas se amontoam na frente ao tapete vermelho; mulheres espetaculares desfilam seus modelos milionários; aspirantes a paparazzi ganham uma grana tirando foto de desconhecidos nas ruas, para depois colocar em sites da internet; iates impressionantes ancoram a alguns metros da praia para o deleite de quem pode, Mas é à noite que tudo acontece de fato. As festas pagas pelos estúdios, para celebrar o lançamento dos filmes em competição, são disputadas na porrada e tem gente que faz qualquer coisa para entrar em uma delas e dividir a pista de dança com alguma celebridade bêbada, e quem sabe…
Bem, eu estive em algumas das festas mais bacanas deste ano. Desde o extremamente formal jantar oferecido para a equipe do filme de Jaques Audiard, Un Prophète, grande favorito à Palma de Ouro até agora, até num inferninho em um barco de produtores colombianos, que festejavam qualquer coisa que pudesse ser festejada. Na comemoração pelo filme de Audiard, em uma casa no alto de um pequeno morro de onde se via toda a cidade e seus barcos iluminados, o jantar foi servido às 21:30 para poucos convidados. Depois, o restante das pessoas (que só havia sido convidada para a festa e não para o jantar) chegava em ônibus fretados e bebia noite adentro. Tudo é superlativo em Cannes, e não seria demais dizer que este é o lugar do mundo com mais gente bonita por metro quadrado.
Crise & discrição
A crise mundial pegou o festival em cheio e criou um fato curioso.
Enquanto que, no ano passado, a cidade estava consideravelmente mais cheia de turistas esbanjando seus lucros em carros caros e loiras cafonas, este ano tudo me parece mais discreto e elegante. Desde os cartazes dos lançamentos americanos até os vizinhos das mesas do lado, nos restaurantes da Croisette.
Não precisa ser analista financeiro para perceber como a crise mudou a cara do festival. Os estandes do Marché du Film estão, em sua maioria, vazios. Os hotéis ainda têm vaga e alguns apartamentos na praia ainda exibem placas de aluguel, quando o festival deveria estar bombando. As festas, que fizeram parte do corte de despesas das produtoras, ainda existem, mas são extremamente mais selecionadas, o que pode ser bastante interessante se você for um dos poucos convidados.
Há dois dias, a Wild Bunch, importante agente de vendas internacional, famosa por fazer uma das festas mais “louquinhas” da Riviera, preferiu mudar seu esquema e alugou um casarão no centro da cidade, para fazer uma coisa mais rock de garagem em petit comité. Eu estava lá, com alguns amigos alemães, que ano passado disputaram a Palma de Ouro com Valsa para Bashir, na competição oficial, e, digamos, que a ressaca já virou um estado perene na nossa vida.
No dia seguinte, foi a vez de me levarem para a festa dos tais colombianos, em um dos restaurantes na areia da praia. Eles co-produziram Viajes del Viento, que concorre na mostra Un Certain Regard. Pude conhecer cada esquina escura e passagem secreta daquele lugar, com direito a participar de rodas de discussões calorosas com feministas bêbadas - e seus planos de emancipação das mulheres árabes.
Depois, fui convidado para o barco, onde rolou um after “solo para los amigos” e digamos que a noite em qualquer lugar do mundo só começa de verdade quando o Amauri Junior já foi dormir há muito tempo.
Ontem, Lars Von Trier me deixou sem vontade de sair. O mergulho bizarro pelos sonhos de uma mulher enlouquecida pela morte do filho, uma mistura intencionalmente desagradável de surrealismo, expressionismo e filme B, dividiu a sessão de gala entre aplausos, ânsia de vômito e vaia. O filme foi inspirado em sua experiência recente com a depressão e conseguiu expor seus demônios e dividir com a platéia, sem egoísmo, toda a loucura e os medos de uma mulher.
Duas horas antes, Ken Loach havia recebido 10 minutos de aplausos no bem-humorado, mas não menos sério, Looking for Eric, com a participação do jogador de futebol francês Eric Catona, que foi ovacionado como nunca vi em Cannes.
Nesta semana, ainda me falta Almodóvar, Tarantino, a festinha privada da Sharon Stone e, claro, o filme do Heitor na quinta (21). A expectativa é grande. Eu vi o filme na sala de montagem sem qualquer correção de cor e trilha temporária e já gostei bastante. Um belíssimo trabalho do Heitor, do Ricardo, da O2 e da Focus. O elenco já está aqui e uma estrela será descoberta: Laura Neiva, uma menina de 15 anos com talento de gente grande.
(postado por Roberto Vitorino, produtor executivo do meu próximo filme, A Girl and a Gun)
O novo filme de Lars von Trier (Anticristo) dividiu opiniões em Cannes. O filme foi aplaudido e vaiado. Grande parte da pláteia deixou a sala durante a projeção.
A experiência é incomoda. O filme é sobre o medo. O diretor faz a platéia passar por uma jornada intensa e dolorosa. Em retribuição, a platéia devolveu o tratatamento ao diretor. A vida é cheia de som e fúria. Bateu, levou. Ditado antigo que funciona bem no cinema.
Gostei do filme deste diretor polêmico. O primeiro filme a provocar reações adversas no Palais des Festivals. Mas não vai ser o único. O filme Enter the Void, de Gasper Noé, estão dizendo que é ainda mais violento que Irreversível.
Ken Loach, por sua vez, encanta a platéia e é ovacionado por vários minutos. O filme (Looking for Eric) é bem humorado e ironiza os livros de auto-ajuda. Nele, os problemas são resolvidos de maneira engraçada. O filme é divertido e caiu muito bem neste tempos de crise financeira. Atráves desse mestre do cinema conteporâneo, Cannes enfoca a diversidade e acerta em cheio.
Hoje, a delegação do A Deriva chegou a Cannes. Débora Bloch, Laura Neiva, Josefina Mariani, Gus Giania, Andre Barata, Bel Berlink. Estou começando a ficar nervoso. Hoje, depois de um dia cheio de reuniões, fui com a equipe no jantar do Un certain Regard, no Calton. E engraçado como, em Cannes, o protocolo é seguido. O jantar é super-restrito e organizado. Laura e Débora encantaram os organizadores do Festival.
Thierry Fremaux (diretor do festival) passou de mesa em mesa comprimentando cada um. Depois, foi a vez de Jilles Jacob (presidente do evento), figura emblemática do festival. Na nossa mesa, sentaram os caras que regulam a projeção. Ou seja, o filme vai estar bonito na tela. As meninas do À Deriva conquistaram todo mundo com a simpatia. A diretor do Un Certain Regard, Genevieve Pons-Cailloux, olhou para as atrizes Laura e Débora e disse: “O protocolo vai adorar vocês duas. Vai mesmo. Elas estão lindas de vestidos pretos”.
Hoje, Cannes parecia um filme do Felline. La Doce Vita.
Cannes é um festival onde o cinema, segundo a J, acontece fora do cinema também. Num dia na Croissete acontecem tantas cenas de cinema que é impossível contar. Cannes é cenário surrealista com personagens mais surrealistas ainda. É muito divertido de ver.
Uma atriz israelence estava reclamando do falso glamour. Acho que ela não entendeu. Não é glamour. É humor. O surrealismo ganha disparado. Cannes é a cara de um filme do Felini. É preciso entrar na viagem.
Pena: hoje cedi o meu ingresso para sessão oficial. O lugar era ótimo. O amigo que foi no meu lugar, sentou-se entre a Hillary Swank e Stephen Frears. Nada mal.
Também perdi a festa da Semana da Crítica. Nesta terça (19) começa uma maratona e quero dormir bem, para aguentar. Faltam dois dias para a prémière de À Deriva. Vincent Cassel também chegou por aqui. Estou tentando disfarçar, mas a estréia do A Deriva já chegou.
Respira fundo e vamos lá.
Comentários
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- Ristum » Postado em: 19 de maio, às 23:39
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Vai fundo Dhalia!!! sucesso na sessão aí!
abs
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- Rinaldo » Postado em: 19 de maio, às 18:43
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H. Dhalia,
Do lado de cá torcemos pelo À deriva…
Best regards
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- Heloisa » Postado em: 19 de maio, às 17:33
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Adorei o blog do Heitor Dhalia e ter o festival de Cannes um humor Felliniano é tudo que gostaria de viver.Quanto ao filme de Dhalia que venha a vitória.
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- Laura Caldas » Postado em: 19 de maio, às 16:40
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Boa sorte querido!
Estou torcendo muito pelo “A Deriva”
Com carinho,
Laura Caldas (Cakoff)
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- Flavia » Postado em: 19 de maio, às 15:46
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Mais um importante momento para o cinema brasileiro.
Parabéns ao Terra por esta contribuição , a escolha do Heitor como blogueiro foi excepcional.
















parabens,acompanho sempre o seu trabalho é relmente facinante,foi maravilhoso
saber que á deriva,foi bem recebido,
Heitor, é sempre muito emocionando poder ver nossos artistas: escritores, diretores, atores, enfim, conseguirem este retorno de critica e visibilidade. Parabéns. Quem sabe num futuro proximo, meu filho que faz AIC em SP tenha a oportunidade de trabalhar com grandes talentos como voce. Parabéns. E que venham outros. abcs
Heitor, nos sentimos muitos honrados pela sua atuação no cinema nacional. Fomos os consultores de seguros do “A Deriva”, do “Cheiro de Ralo” e outras produções suas. Onde estiver o nome Heitor, o sucesso está garantido
Lindo jeito de encerrar. Acompanhei desde o início e adorei.
(e adorei o “cala a boca” do final).
Tomara que você faça esse tipo de cobertura mais vezes.
Parabéns pelos 5 min de aplausos!
tchau
Heintor, caso tenha interesse em mandar as notas dos filmes da mostra competitiva que vc assistiu em Cannes, o endereço é: http://cannes.fidelidadealta.com/
Abraço.