E Cannes chega ao fim…
Último dia do festival. Cannes finalmente chega ao fim. Desculpe a ausência nesses últimos dois dias, mas foi literalmente impossível escrever por falta de forças.
Sinto como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Tanta coisa aconteceu que é impossível relatar tudo. E também não tem mais graça, já que o festival chegou ao fim.
Vou fazer um resumo rápido: a recepção ao À Deriva foi emocionante. O longa foi ovacionado por vários minutos. Foi muito, muito lindo mesmo. A platéia recebeu o filme com muita emoção. Muita gente chorou durante a sessão. Incrível mesmo!
Antes, eu já tinha sabido que o filme foi vendido para o mundo inteiro. O primeiro lugar a ser lançando, depois do Brasil, será na França.
As entrevistas no dia seguinte com a imprensa francesa foram maravilhosas. Muita gente fala que o filme tem a ver com o trabalho dos diretores Eric Rohmer ou François Ozon. Mas o Vincent Cassel disse que não é isso. Que o filme é muito mais sexy, mais brasileiro. Os europeus, aliás, se impressionaram com o aspecto sensual da narrativa. Muitos biquínis e corpos expostos numa paisagem paradisíaca. Búzios encontrou Cannes. Dois balneários que conversam e que tem muito em comum.
Não dá para esquecer que a musa de Búzios é a Brigitte Bardot. Lá, tem até uma estátua dela, que costumava passar as férias de verão no balneário.
Hoje, consegui relaxar pela primeira vez. E vou embora com a certeza de que tudo agora vai ser diferente. É um novo começo na minha vida, com novos desafios. O À Deriva abriu as portas para o mercado internacional.
Agora, é a vez do Serra Pelada. Um filme grande e desafiador. Se tudo der certo, se conseguirmos fazer um bom filme, espero poder voltar aqui em Cannes em breve.
Me despeço deste blog, no qual, na medida do possível, tentei de uma maneira direta passar um pouco da sensação do que é o Festival de Cannes. Missão, aliás, impossível, já que Cannes é tanta coisa.
Espero que vocês tenham gostado deste relato mínino e agradeço a audiência.
Hoje, sai a Palma de Ouro. Minha aposta é para Un Prophèt. Também pode ser que o filme de Michael Haneke ganhe. A cerimônia começa na mesma hora que estarei embarcando de volta ao Brasil e ao trabalho. Aliás, Cannes é muito mais trabalho do que glamour - diria que é 80% trabalho e um pouco de diversão também. Tentei escapar das festa porque não ia chegar vivo ao final, se tivesse tentado fazer tudo o que tem para fazer por aqui.
Finalmente, quero aproveitar este espaço para agradecer as pessoas que me ajudaram a fazer este filme. É tanta gente que não é possível enumerar. Mas quem fez, sabe o que fez. Quero agradecer especialmente a Isabel Berlinck, Chico Aciolly, Guta Carvalho e Ricardo Della Rosa. Parceiros de toda hora e companheiros de batalha.
Obrigado! Vocês estão no meu coração.
E, por último, quero agradecer especialmente a Vera Egito, minha namorada e parceira criativa, que me inspirou a fazer este filme e o co-escreveu comigo. Vera e eu começamos a namorar de verdade a partir desta parceria criativa. Foi isso que nos aproximou e nos uniu. Depois do À Deriva, escrevemos juntos Haiti, Os Orixás e o Serra Pelada, meu próximo filme. E já estamos começando um novo roteiro.
Obrigado, Verinha, por toda a força, ajuda e compreensão nos momentos difíceis. É com você que eu quero compartilhar todas as coisas incríveis que aconteceram neste 62º Festival de Cannes.
Viva o amor. E viva o cinema.

Valeu! As palavras deram conta do recado. Da briga com a gravata até o cansaço de agora, passando pela emoção de quinta (à Vera).
Instigou que assisti ao Espalhadas…. agora, que venham O elo, o À deriva, a Celluloid Dreams, o Un Prophèt, o Taking woodstock, o Looking for Eric, o Antichrist… ah, e também o Visage.
“Parfois ma femme me pose une question très féminine: +est-ce que tu es heureux?+. C’est très difficile de répondre. Mais aujourd’hui, c’est un moment dans ma vie où je peux dire je suis très heureux, et toi aussi je pense”, a lancé Haneke en s’adressant à son épouse, dans la salle.
Il a reçu la Palme des mains d’Isabelle Huppert la présidente du jury, actrice sacrée à Cannes en 2001 avec un autre film de Haneke, “La pianiste”. La Palme a récompensé un “film extraordinaire” qui ne “livre pas de message, mais dit des choses importantes”, a affirmé la présidente du jury Isabelle Huppert lors de la conférence de presse d’après-palmarès.
Heitor querido,
é sempre um prazer trabalhar com vc, seu talento, sua força criativa, já são 04 filmes juntos que venham mais.
Parabéns e até o próximo,
Bjs
Chico
Aproveita e manda um axé para a Cangaceira Ninja!!!
Parabéns, muito emocionante ! Pelo que vi do trailer, a história é maravilhosa. Muito sucesso com os novos trabalhos.
Heintor, caso tenha interesse em mandar as notas dos filmes da mostra competitiva que vc assistiu em Cannes, o endereço é: http://cannes.fidelidadealta.com/
Abraço.
Lindo jeito de encerrar. Acompanhei desde o início e adorei.
(e adorei o “cala a boca” do final).
Tomara que você faça esse tipo de cobertura mais vezes.
Parabéns pelos 5 min de aplausos!
tchau
Heitor, nos sentimos muitos honrados pela sua atuação no cinema nacional. Fomos os consultores de seguros do “A Deriva”, do “Cheiro de Ralo” e outras produções suas. Onde estiver o nome Heitor, o sucesso está garantido
Heitor, é sempre muito emocionando poder ver nossos artistas: escritores, diretores, atores, enfim, conseguirem este retorno de critica e visibilidade. Parabéns. Quem sabe num futuro proximo, meu filho que faz AIC em SP tenha a oportunidade de trabalhar com grandes talentos como voce. Parabéns. E que venham outros. abcs
parabens,acompanho sempre o seu trabalho é relmente facinante,foi maravilhoso
saber que á deriva,foi bem recebido,